ASSOMBRAÇÕES INDÍGENAS

As diversas culturas indígenas das Américas possuem um rico acervo de personagens assustadores. Muitos deles assustam crianças e adultos, outros, somente crianças. Nesta época de festas das bruxas, aproveitamos para conhecer alguns deles:

BRUXAS DEVORADORAS – em muitas regiões do Peru podemos encontrar relatos sobre Achiqué e Mamá Galla, as bruxas que ficam com crianças abandonadas por seus pais em situação de extrema pobreza. Segundo contam os Quéchua, Mamá Galla vivia nas alturas dos caminhos da cordilheira e enganava a todo viajante que passava, oferecendo deliciosas comidas feitas com carne humana.

ASIAJ – é uma das formas como se conhece o demônio nos Andes: tem orelhas de burro e um grande rabo. Quando aparece alguém não-batizado, ele acorda transformado num vulto negro em forma de cobra e produz uma grande ventania acompanhada de chuva de granizo.

CUYCHI – entre os Incas, o arco-iris era muito temido e considerado anúncio de morte, desastres e doenças. Era chamado de Cuychi ou Turu Mania e diziam que vinha do sol.

GUARMI VOLAJUN – mito das serras equatorianas, significa “mulher voadora”. Quando cai a noite é o momento que ela pode ser vista como se fosse uma brasa de fogueira, voando pelos céus e saudada pelo latido dos cães.

KARISIRI – oriundo da região norte de Potosí, uma das zonas mais pobres da Bolívia, tem aparência humana, um gigante com o corpo coberto de pelos amarelos, cruel e exclusivamente noturno. Tem a capacidade de hipnotizar as pessoas e depois comer toda a gordura de seus corpos.

PUQUIALES ou Olhos D’água são os locais onde brotam as águas subterrâneas, mas são muito mais que isso: como são locais privilegiados para o afloramento do mundo de baixo, às 4 horas da tarde se transformam em casa do demônio. A partir dessa hora, ninguém se atreve a chegar perto pois certamente será agarrado pelo diabo e levado para debaixo da terra.

LA UMA é uma mulher jovem que, nas noites de lua cheia, sai para passear com a cabeça separada do corpo. Tem longos cabelos, come excremento humano e tem voz de pato. Em suas saídas, prefere atacar homens solitários que andam por caminhos escuros e desertos. Ela conhece os lugares onde estão escondidos os tesouros minerais da terra.

ANHANGÁ é um espírito maligno presente entre os índios tupi-guarani brasileiros. Pode assumir a forma de animais ou de homens, mas quase sempre é um veado branco e com terríveis olhos de fogo. Anhanga é mais do que uma simples assombração: é o protetor da caça e sua principal função seria a de castigar os índios que matam mais do que o necessário para o seu consumo ou que perseguem uma fêmea em época de amamentação.

CURUPIRA - duende popular em todo o Brasil, tem o tamanho de um anão e exibe uma estupenda cabeleira, avermelhada como o fogo. Sua característica mais conhecida, entretanto, são os pés virados: os calcanhares para frente e os dedos para trás, o que impede saber de onde veio e para onde vai. O Curupira é mestre em causar os estranhos ruídos que se escuta na mata e se diverte fazendo com que os caçadores se percam no meio da floresta. Também exerce a função de proteger os animais.

NHANDÚ-TATÁ é, literalmente, ema de fogo em tupi-guarani. Trata-se de uma assombração bastante típica dos campos banhados pelo rio Uruguay, visagem que revela com sua presença onde há tesouros enterrados e escondidos no pampa.

YAGUARETÉ ABÁ é uma lenda difundida em algumas regiões da Argentina e do Paraguay. São índios velhos que à noite se transformam em tigres para comer gente. Quando querem se transformar, se afastam e rolam da esquerda para a direita sobre uma pele de jaguar, rezando um credo ao contrário.

MUÁN é o mito mais conhecido na Colômbia. Dizem que era um feiticeiro que teve uma visão da chegada e dos horrores da conquista espanhola, então se refugiou nas montanhas e se converteu em deus dos rios. É descrito como um índio velho e gigantesco, de aspecto demoníaco, com o corpo coberto de pelos, boca grande e olhos brilhantes. É brincalhão, mulherengo e libertino, além de roubar crianças para comer assadas.

CHONCHÓN ou CHONCONYÚ é uma ave noturna, do tamanho de uma pomba, que habita a Patagônia. Os bruxos a representam com cabeça humana e enormes orelhas do tamanho de asas. Dizem que sobrevoa lugares onde tem alguém doente, e que, se a pessoa estiver sozinha, ele a mata para beber seu sangue.

O BARCO FANTASMA navega sempre à noite, pelos lentos rios amazônicos, estranhamente iluminado por luzes vermelhas como se houvesse um incêndio em seu interior. Equipado por mesas que são enormes tartarugas e macas que são grandes cobras, seus tripulantes são golfinhos transformados em homens que adoram dançar e seduzir as moças mais bonitas que habitam as margens dos rios.

Pesquisa realizada por Marcos Marinho, durante a montagem da peça teatral ANDALHEIROS, Grupo PauLatino, Espaço Mezcla, 2007.

Breve bibliografia:

Ansión, Juan (1987): Desde el rincón de los muertos. El pensamiento mítico en Ayacucho, Lima: Gredes. Szeminski, Jan (1983): La utopía tupamarista, Lima: PUCP.
Vargas Llosa, Mario (1993): Lituma en los Andes, Bogotá: Planeta. Donato, Hernâni (1981): Dicionário de Mitologia, São Paulo: Culrix. Vidal de Battini, Berta (1984): Cuentos y leyendas populares de la Argentina. Ediciones Culturales Argentinas. Ministerio de Educación y Justicia, Buenos Aires. Solorzano Sánchez, Luis Fernando (1990): Mitología y creencias populares de Colombia, Bogotá: Editor Ecoe. Reagan, Jaime (1983): Hacia la tierra sin mal. Estudio de la religión del pueblo en la Amazonía, Iquitos: CETA, pp. 171-205. Estudio realizado por la Coordinación Pastoral Regional de la Selvaéxico: FCE. Colombres, Adolfo (1986): Seres sobrenaturales de la cultura popular Argentina, Biblioteca de Cultura Popular /1, Buenos Aires: Ediciones del Sol, 203 p. Ilustraciones de Ricardo Deambrosi.